quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Que país é este?

 


Que país é este!?

 

O segundo turno já está batendo à nossa porta e confesso que me sinto num mato sem cachorro me lembrando da máxima “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Será que o leitor ou leitora se sente assim também?

Estamos cansados de tantas promessas, tanta falácia, tanta corrupção e tão poucos projetos de melhora de vida para o povo.

 Não dá para não se indignar, nem se revoltar e nem se calar. O silêncio, a indignação e a revolta precisam ser expressos em palavras urgentemente, mesmo que não sirvam para nada. É impossível para mim ficar calada diante do que vejo e leio todos os dias pela mídia impressa e televisiva.

         Como não ficarmos indignados e revoltados quando vemos tanta corrupção, tanto dinheiro público sendo desviados para “orçamentos secretos” e tantos outros mais que nós, pobres mortais” nem sonhamos. Como não nos indignarmos com tantas mortes corriqueiras e recorrentes de crianças e adolescentes por policiais mal preparados.

         Como não nos indignar quando vemos tantas mulheres, mães de famílias sendo mortas todos os dias, pessoas assaltadas em plena luz do dia sequestradas e arrastadas de seus veículos. Pessoas famintas, drogadas, mal cuidadas por um poder público que sabemos, não está nem aí para elas. Onde estão “os direitos humanos” destas pessoas? A quem elas irão reclamar? Reclamar aonde? Em que lugar? Com quem? Quem irá ouvi-las?

 Ouço o choro destas mães e destes pais. Será que alguém mais os ouve? Onde eles poderão ser ouvidos? Na Polícia Federal ou num Tribunal? Mas que Tribunal? Num Tribunal de “grandes causas”? Será? Será que vai adiantar?

         A corrupção mostrada pela TV onde milhões, bilhões e até trilhões -  que certamente são tirados da aposentadoria dos idosos, dos impostos pagos por nós cidadãos comuns - mostra que este país parece não ter mais jeito mesmo. É horrível saber que todo esse dinheiro é desviado e passado para mãos de pessoas corruptas e, ao mesmo tempo, pensar nos milhares de brasileiros que dão o suor do seu rosto pelo crescimento do país, mas que não têm muitas vezes um Real no bolso para comprar o pão de cada dia. O preço dos alimentos cada dia mais alto.

Que país é esse? Dizem que é o país do futuro, um país de jovens. Mas que futuro, se balas perdidas matam crianças todos os dias. Que jovens? Se esses, estão sendo destruídos pelas drogas e pela violência entre eles mesmos?

          Chega de contabilizarmos mortes desnecessárias e assistirmos assustados e atônitos a tanta corrupção e impunidade. O que queremos e precisamos urgentemente é de políticas públicas efetivas, não apenas promessas; precisamos de segurança para andarmos nas ruas com nossos filhos. Para passear e brincar com eles nos parques sem medo de que uma bala perdida os tirem de nós. Precisamos de educação de qualidade e de empregos para nossos jovens. Precisamos de mais saúde para todos. Precisamos de comida no prato.

         É preciso que coloquemos a face para fora das janelas e gritemos bem alto. Basta, Brasil! Chega de impunidade, chega de corrupção; chega de falcatruas. É chegada a hora de se deixar de olhar para os próprios umbigos e tentar encontrar meios de melhorar a vida daqueles que não têm nada e que com certeza precisam de muita ajuda.

Pensem nisso, senhores, por favor, vocês que têm o poder nas mãos.

       

 Valéria Vanda Xavier Nunes

         Professora e escritora.

                                                                    

 

 

 

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Melhor idade.

 



Estou hoje com  sessenta e seis anos. 

Grande parte das mulheres que conheço amigas ou não, sempre se recusam terminantemente a divulgar sua própria idade. Nunca tive esse problema. Sempre assumi meus anos de vida com muita tranquilidade.  Não quero com isso dizer que adoro “envelhecer”, claro que não. É impossível acordar todas as manhãs, se olhar no espelho e não perceber a passagem do tempo, mas, confesso que o aparecimento das indesejadas ruguinhas, a falta de colágenos que provoca a tão temida flacidez que nos faz amolecer como uma fruta madura não me tiram do sério, assim como não me tiram a vontade e alegria de viver, pois as encaro como  provas de que ainda  estou viva. E é por isso que há alguns meses, com muito tempo sobrando por causa da aposentadoria, senti necessidade de voltar à academia de ginástica, não só para “ter o que fazer” como também para sair um pouco do sedentarismo, fazer novas amizades e me sentir mais viva ainda.

Nada como uma boa academia pra gente se redescobrir. Praticando exercícios, em meio àquela animação na companhia de mulheres jovens e também senhoras de meia-idade como eu, percebo e sinto no corpo e na mente como vale a pena viver. Afinal, como diz a expressão latina “mens sana in corpore sano". E é isto que estou tentando fazer.

 Ao ver aquelas jovens de corpos bem feitos confesso que me bate uma saudade imensa do meu corpo de mocinha e digo com sinceridade que dá uma vontade danada de voltar a ter aquela cinturinha de pilão que nunca tive. Então, de repente a ideia de me submeter a uma nova cirurgia plástica se instala na minha cabeça e quando uma ideia entra na minha cabeça é difícil  de sair. E assim, os dias vão passando e a ideia fixa persiste. Converso com umas amigas, converso com outras, ouço a opinião de umas, pondero, ouço a opinião de outras, mas a ideia continua lá, martelando em minha cabeça. 

Como eu gostaria de ter a minha cintura de volta. Ficava sonhando. 

É verdade que não sou mais  jovem fisicamente como gostaria, mas, meu espírito, esse, parece que parou no tempo, me sinto com trinta ou quarenta anos.  O meu humor, a alegria de viver, o sorriso fácil, a vontade de dançar e de me divertir não acabaram com a passagem dos anos.

Mas, por incrível que possa parecer, um simples texto de Lya Luft, escritora pela qual tenho a maior admiração e que me influenciou muito na escrita de meus próprios textos, me fez tomar a decisão que eu tanto adiava. O título do texto era “Mudança” e nele, a autora nos mostrava que “a fonte da juventude eterna” não está necessariamente nas inúmeras cirurgias estéticas que façamos, mas, nas mudanças que nos propomos para melhorar nosso estilo de vida. Como ela mesma dizia no texto - e que eu estou pronta a concordar - as cirurgias estéticas não dão conta de tudo. Não basta você se repuxar toda se não mudar sua cabeça, seu comportamento diante da vida e da passagem do tempo.

 Era isso que eu precisava ouvir. 

Após ler esse texto de Lya, cheguei à conclusão de que deixar minha cintura mais marcada, a essa altura do campeonato, de maneira nenhuma iria fazer com que eu me sentisse mais jovem do que me sinto. Abri bem os olhos e a mente e vi que a minha juventude não estava nas transformações que eu possivelmente viesse a fazer no meu corpo ou no meu rosto, mas, nas mudanças que eu pudesse fazer na minha cabeça. Percebi que a minha felicidade futura, o meu bem-estar, não vão de modo algum estar nas curvas do meu corpo de jovem senhora já na “melhor idade”, mas, nos projetos de vida  que eu deverei traçar a partir deste momento para atingir as metas a que me propuser para continuar vivendo da melhor maneira possível os anos de vida que ainda me restem.

E sendo assim, estou na fase das idosas com a alegria que é parte intrínseca do meu ser, sendo feliz e procurando fazer também felizes as pessoas que fazem parte de minha vida e todas as outras que estão ao meu redor. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

 


INSATISFAÇÃO FEMININA

Quem leu a Revista Época de 19 de outubro de 2009 ficou informado sobre um estudo feito por Betsey Stevenson e Justin Wolfers pesquisadores da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos. Neste estudo eles mostram a insatisfação feminina nas últimas três décadas.

Ficou comprovado que, se de um lado as mulheres estão com toda a liberdade que sempre almejaram; ou seja, a de decidir sobre a própria vida prática – profissional, por outro lado, mostram-se em grande maioria, altamente insatisfeitas e cansadas tristes e estressadas, no que se refere ao campo afetivo. 

A verdade é que até os anos 60 antes, da verdadeira emancipação da mulher, elas se “contentavam” com seu papel de esposa e mãe, mas, sabe-se também, que muitas delas sentiam um vazio em suas vidas, algo lhes faltava para sua felicidade. Elas tinham tudo, vamos dizer assim, no campo afetivo - no subjetivo. No entanto, algo lhes faltava no campo objetivo - no prático.

Será que a emancipação da mulher deu certo? Por que será que muitas estão insatisfeitas se conquistaram tudo o que queriam e que “achavam” que ia fazê-las felizes? E por que não estão? Não que eu seja antifeminista, isso não, mas concordo com o velho ditado que diz: “Não se pode servir a dois senhores”. As mulheres saíram de casa, queimaram sutiãs, gritaram por liberdade, por igualdade de direitos e agora estão cansadas, claro, pois continua em suas costas a responsabilidade emocional pela casa e pela família, criando-se assim o pesadelo da jornada dupla e por que não dizer tripla de toda mulher que trabalha fora. Além da preocupação em ganhar mais dinheiro, poder e sucesso elas ainda têm de ser mães, donas-de-casa, mulher e aparecer sempre lindas, maravilhosas, jovens, e sexy. Ufa!!!. Claro, elas não estão conseguindo segurar as barras do cotidiano. Não resta a menor dúvida de que esta multiplicação de papéis que a mulher, dita moderna e emancipada, carrega sobre seus ombros é que está trazendo para ela toda essa insatisfação, essa tristeza e essa angústia sem fim.

Para que a mulher encontre o equilíbrio entre o objetivo e o subjetivo é preciso que ela repense seus valores e resolva de que lado deseja estar. Que papel ela deseja exercer neste mundo cruel. Enquanto isso não acontece, muitas optam pelo trabalho, pelo sucesso profissional em detrimento da família mas, com os anos, ela mesma descobre a falta que uma família faz e aí começam o dilema e as frustrações.

Na reportagem da “Época,” aparece uma pergunta: “Será que os conservadores que sempre denegriram o feminismo como antinatural teriam razão? Será que as mulheres seriam mais felizes se retomassem seu tradicional papel de mães e esposas”?

Posso até está passando ao leitor a imagem de uma mulher anacrônica, antiquada, uma mulher com ideias atrasadas, mas sinceramente, acho que a mulher seria muito mais feliz se soubesse dosar a sua carga horária com a sua vida pessoal e familiar. Claro que acho importantíssimo que ela trabalhe fora de casa, que ocupe o seu lugar na sociedade e no mercado de trabalho, que alcance o seu sucesso e sua independência financeira.

Agora, o trabalhar fora o dia inteiro e o cuidar da casa e da família, decididamente, não formam um par perfeito. Por isso, faz-se necessário que a mulher saiba equilibrar bem esse dualismo: trabalho e família, só assim, ela talvez consiga atingir o caminho para a tão sonhada felicidade.

                       

 

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Igualdade de Gênero

 

                  IGUALDADE DE GÊNEROS             

A questão de gênero é assunto importante em qualquer lugar do mundo. Faz-se necessário planejar e sonhar um mundo diferente e mais justo onde homens e mulheres sejam felizes e mais autênticos consigo mesmos. Filhos e filhas devem ser criados de maneiras diferentes, mas com direitos e deveres iguais. Vai ser difícil? Vai. Mas não será impossível. Às meninas não devemos ensinar a “se diminuírem,” a se “encolherem” diante dos meninos. Não cabe mais dizer que o sucesso da mulher vai “emascular” o seu homem, o seu marido.

           
É engraçado falar de igualdade de gêneros. Será que já existe essa falada igualdade.de gênero? Será que ela funciona em nosso país? “Lugar de mulher é onde ela quiser.” Alguém já ouviu essa frase?  Parece que estou ouvindo você aí me respondendo. Já. Claro que sim. 

E você concorda com essa frase leitor ou leitora? Que homens e mulheres devem ter direitos e deveres iguais? Pois então, essa seria a base para a construção de uma sociedade livre de preconceitos e discriminações. Mas será que essa igualdade tão desejada pelas mulheres desde as décadas de 20 e 30 quando lutavam por direito ao voto já foi alcançada em sua totalidade? Ou seja: a igualdade social entre homens e mulheres; a sexualidade e a saúde da mulher que entraram em pauta nas discussões políticas em 1970 estarão sendo respeitadas?

A luta por essa igualdade de gênero foi a grande marca para se constituir O Dia Internacional da mulher.  Um dia instituído em homenagem às 130 mulheres que morreram queimadas na fábrica em que trabalhavam num ato totalmente desumano por reivindicarem melhores condições de trabalho, melhores salários e um tratamento digno. Que triste! As desigualdades entre os gêneros são vistas a toda hora nas mínimas coisas e situações do cotidiano. Ainda.

A começar pela família, quando se espera que as meninas e mulheres se encarreguem das tarefas domésticas enquanto os homens veem televisão, leem jornal ou apenas descansam. Não é verdade?

Mas isto precisa mudar.  Já se pode ver a dissolução de valores antes tão arraigados na sociedade. A mulher está se libertando em diversos aspectos e agora o homem é que tem que acompanhar seu ritmo. Muita coisa já foi combatida e está mais do que na hora de se renovar as conquistas adquiridas pelas mulheres para que a sociedade possa evoluir. Mas acredito que essas conquistas serão pouco a pouco concedidas, pois ainda é recente tudo que vem acontecendo nos avanços em nossa sociedade

Um dia chegaremos lá?  Quem sabe?

            Homens e mulheres devem ser livres para fazer as suas escolhas e desenvolver as suas capacidades pessoais sem interferências ou limitação e estereótipos. O aspecto profissional é apenas um exemplo dos muitos existentes e que fazem com que o abismo da desigualdade entre os gêneros continue enorme. Pobre de nós que moramos no Brasil – país com a maior desigualdade entre os gêneros; onde a capacidade da mulher é questionada pelos homens levando-as a terem um salário muito inferior a eles, mesmo desempenhando papeis similares.

Este posicionamento faz com que uma grande parte das mulheres evite posições de liderança por se acharem incapazes de conciliar as tarefas de casa com as do trabalho e, muitas vezes, abrem mão até de promoções por acharem que seria muito estressante a conciliação entre o profissional e o pessoal. Infelizmente, esta luta parece não ter fim. Falta muito para se desconstruir a visão preconceituosa e estereotipada que está entranhada na nossa sociedade.  Porém acredito que à mulher sempre caberá a função de ser mãe e muitas funções nunca deixarão de ser femininas pois é inerente a nós; são características próprias do nosso sexo, assim como, a sensibilidade, o instinto, o zelo, o carinho e o amor.

A mulher jamais deveria sofrer exclusão por ser mulher. Deverá sim, parar de se desculpar por ser feminina e exigir ser respeitada por sua feminilidade, por gostar de falar de política, de história, de novelas, por dar boas gargalhadas, por ser produtiva, por gostar de salto alto, por variar de batons e por ser feliz.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

 

 

Olá pessoal.

                                                             


 

Olá pessoal.

            Gostaria de compartilhar com vocês como tem sido a minha trajetória como escritora.  Muitos me perguntam como comecei quando, onde. Enfim, Como tudo começou. Pois então. Herdei do meu pais o gosto pela leitura. Ele sempre gostou de ler, era um amante do cinema; assistia regularmente a filmes e um leitor assíduo do Jornal do Comércio que circulava em Pernambuco. Sinto muitíssimo que ele não tenha vivido o bastante para ler minhas inúmeras crônicas e artigos publicados no Jornal da Paraíba e no Diário da Borborema no período em que fui colaboradora por alguns anos.

 Em 1977 saí de Bezerros minha terra natal para morar em Campina Grande. Aqui continuei minha faculdade  que começara em Caruaru PE, e me formei em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba. Fui Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira por 25 anos na rede particular e na rede estadual de Ensino e hoje encontro-me aposentada dedicando meu tempo livre a ler, escrever, curtir a família e viajar.

Adentrei nesse universo da literatura em 2006 escrevendo crônicas e artigos de opinião que foram publicadas em Jornais de – Campina Grande. Essas crônicas e artigos me renderam o primeiro livro, “Retalhos de uma vida”. Nele eu conto minhas memórias vida e faço reflexões sobre temas do cotidiano.  Em 2009 lancei meu segundo livro; “A Saga de Sete mulheres” onde além de contos, crônicas e poemas o leitor se deparar com memórias romanceadas da vida de sete irmãs.

Em 2014, comecei a esboçar o que seria meu terceiro livro. No cotidiano de minha vida, “Entre uma coisa e outra”, observando o mundo e as pessoas ao meu redor, foi tecendo as palavras na tentativa de criar um belo panorama onde pudesse expressar suas alegrias, sonhos tristezas, dúvidas e indignação diante das injustiças sociais que permeiam a vida. Nascendo assim o livro Entre Uma coisa e outra   com o apoio da editora da UEPB e que será lançado hoje em virtude dos adiamentos que UEPB foi obrigada  a realizar.

 

Valéria escreveu seu quinto livro Marcas de um tempo tomando emprestado de Machado de Assis a temática que ele usou em \Memórias póstumas de Brás Cubas, a personagem do livro de Valéria, a narradora/ protagonista, faz uma retrospectiva de sua vida enquanto se encontra deitada em seu caixão em seu próprio velório.

Valéria e  Francisco Nunes são pais dedicados de três filhas Pollyanna,, Juliana  e Luciana, cinco netos, Maria Clara, Arthur, Heloísa, Mariana, e Marcelo e considera